Associação Brasileira de Justiça Terapêutica
Estatuto
Diretoria
Associe-se
Programa de Justiça Terapêutica
Artigos
Legislação
Referências Bibliográficas
Sobre drogas de abuso
Artigos
Centros de Recuperação
Links
Notícias
Fale Conosco

Padre Chagas 79 / 801
(esq. Hilário Ribeiro)
Moinhos de Vento
90580-080 Porto Alegre / RS
51 3013 8820 / 3023 8824


Parceiros:





















Pº Castellana, 150 6º Dcha
28046 Madrid
Teléfono: 91 457 50 61
Fax: 91 457 29 78
E-Mail

 


As casas de consumo de drogas

As casas de consumo de drogas ou Bases para um outro tipo de shopping total

 

Leio sobre proposta do Ministério da Saúde que, no bojo de uma política de redução de danos, pensa em abrir casas de consumo de drogas no Brasil.

Nos últimos anos, algumas vezes tenho sido inquirido pela mídia se sou a favor da redução de danos como se existisse algum médico a favor da ampliação de danos! Claro que sou a favor de tudo que minimize os problemas decorrentes do uso de drogas. Não me parece que seja essa a discussão. O foco que o gestor da saúde pública deveria dar à questão é quanto de meus recursos investirei em prevenção, seja em campanhas sociais, seja em escolas, empresas e Igrejas? Nesta mesma direção, quanto investirei no desenvolvimento de uma rede eficaz de tratamento, que inclua ambulatórios, unidades de desintoxicação e unidades hospitalares? Quanto investirei na compra das medicações comprovadamente eficazes no tratamento dos dependentes químicos para que as mesmas sejam disponibilizadas na rede de atenção? E finalmente, mas não menos importante, quanto investirei em práticas de redução de danos, tal como a troca de seringas?

O equívoco que parece estar em trânsito é pressupor que a única coisa a fazer são as ações de redução de danos, como se o que nos restasse na área de drogas é trocar seringas!

As estatísticas nacionais nos informam que a dependência química mais freqüente entre nós é o tabagismo, que afeta 20% da população. Alcoolismo, 10%. O conjunto de todas as demais drogas 2%. Entre estes os de drogas injetáveis, que curiosamente têm diminuído muito com a chegada do crack, é algo na casa do 0,06% da população. Portanto, uma política que priorize este tipo de redução de danos é uma política elitista voltada para uma extrema minoria.

Alegam que essa minoria alimenta uma rede de criminalidade que se conseguisse reduzi-la já seria um ganho notável. Por isso as casas de consumo.

Pela mesma ótica deveríamos acabar então com o jogo do bicho, com os camelôs, com a prostituição, coisas que também se relacionam com crime. Ou na esteira da atual proposta, construirmos um outro tipo de shopping total, onde o usuário poderia encontrar bingos, prostíbulos, bicheiro e drogas para uso na praça de alimentação.

Como dizem os adolescentes, Ô Ministro, fala sério meu.

Dr. Sérgio de Paula Ramos

Psiquiatra, Psicanalista

Membro do Conselho Consultivo da Associação Brasileira de Estudos sobre o Álcool e Otras Drogas(ABEAD) e seu ex-presidente

Presidente do Próximo Congresso Brasileiro sobre Alcoolismo e outras Dependências

Membro da Unidade de Dependência Química do Hospital Mãe de Deus de Porto Alegre

51-99796219

serramos@terra.com.br