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Usuárias de drogas são mais discriminadas sim!

Usuárias de drogas são mais discriminadas sim!

 

Andrea Domanico

 

         Ao longo do desenvolvimento da humanidade as mulheres sempre foram vítimas de discriminação. O preconceito social não é diferente quando o assunto é o uso de drogas por mulheres. Uma mulher usuária de drogas é mais segregada do que os homens.

 

Em geral, as pesquisas sobre o consumo de drogas apontam que as mulheres utilizam em menor quantidade e com menos frequência que os homens, algumas substâncias psicoativas. No entanto, nos últimos anos, este quadro tem se modificado. Os padrões de consumo de álcool, tabaco e drogas ilícitas no gênero feminino têm se aproximado cada vez mais dos observados entre o sexo oposto.  Esse consumo tem superado os índices apresentados pelos homens no caso do uso de medicamentos antidepressivos, ansiolíticos e anorexígenos.

 

         O aumento do consumo de medicamentos pode ser explicado por vários fatores. Um deles é o fato de muitas mulheres não enxergarem o uso de remédios, sem orientação médica, como uso indevido e abusivo de drogas. Elas tendem a justificar este consumo por necessidades estéticas ou de saúde e são críticas em relação ao uso de substâncias lícitas, como o álcool e o tabaco. Em parte, esta postura reflete nossa herança cultural, afinal, as mulheres são estimuladas cotidianamente a consumir medicamentos. Entre eles os remédios para evitar a gravidez, realizar reposição hormonal, lidar com sintomas depressivos ou manter a beleza simplesmente. O consumo de drogas pelo prazer (álcool, tabaco e substâncias ilícitas) é preferencialmente permitido aos homens.

 

 Contudo, temos percebido atualmente, um número razoável de mulheres usando drogas publicamente. Isso demonstra uma alteração nos hábitos sociais, pois contribui para reduzir o preconceito, uma vez que banaliza o uso de drogas por mulheres em locais públicos. Por outro lado, estas mesmas mulheres se tornam vítimas preferenciais de atos violentos, resultado de uma postura preconceituosa. É comum a associação da mulher usuária de drogas a estereótipos como: “se ela se droga ela não se dá ao respeito” e portanto, não merece ser respeitada.

 

Vivemos em uma sociedade em que o gênero limita as ações das pessoas. Para muitos, ainda existem atividades e comportamento que somente o homem pode apresentar e outros reservados somente às mulheres. Logo, se faz necessário pensar nas diferenças de gênero quando construimos políticas públicas. O uso de drogas é uma questão delicada que  deve ser discutida com a  sociedade de forma sincera, menos intolerante e sem preconceitos. Caso contrário teremos dificuldades para estabelecer politicas assertivas e eficazes para reduzir o consumo e as coneqüências do uso abusivo e indevido de drogas entre as mulheres.

 

 Para mudar este panorama exemplos bem-sucedidos da luta pela transformação social devem ser seguidos. Entre eles, o movimento feminista, redução de danos e o movimento de AIDS. Por meio dessas lutas específicas conseguiu-se, por exemplo, que o Sistema Único de Saúde - SUS incorporasse como prática oficial, a distribuição de preservativos masculinos e femininos e também da “pílula do dia seguinte”, essencial nos casos em que se busca a contracepção de emergência. Estas iniciativas ampliaram o acesso das mulheres a insumos básicos de prevenção e beneficiam a todas, inclusive as usuárias de drogas.

 

 

Andrea Domanico é Psicóloga. Doutoranda do Departamento de Antropologia da Universidade Federal da Bahia.

Assessora Técnica do Programa Nacional de Hepatites do Ministério da Saúde