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Terapia Comunitária

Terapia Comunitária

 

A troca de experiências para lidar com os problemas como a dependência química e

brigas familiares é o princípio usado neste tipo de tratamento

 

Criada há 20 anos pelo Doutor em Psiquiatria, Antropologia e Professor de Medicina Social na Universidade Federal do Ceará, Adalberto Barreto, a terapia atende pessoas, na maioria mulheres, com problemas que não podem ser solucionados com remédios, mas sim com apoio.

 

A idéia surgiu quando Barreto acompanhava estudantes de psiquiatria no Hospital das Clínicas e no Centro de Direitos Humanos do Pirambu (uma favela de 180 mil habitantes, no Ceará). No local, eram atendidas mulheres abandonadas pelos maridos, violentadas e com depressão. “Enquanto eram duas ou três eu conseguia dar um jeito de incluir, mas um dia chegaram oito pessoas. Não dava para atender tanta gente, então pedi à comunidade que reunisse essas pessoas no local onde moravam que eu e minha equipe iríamos até lá”, explica o Professor.

 

Ele lembra que na primeira vez, atendeu um grupo de 30 pessoas. “Elas procuravam remédios para dores na alma, foi um desafio sair dos medicamentos e passar para a cura de acordo com a reflexão”, afirma. Para Barreto o que as pessoas precisavam era falar, serem ouvidas, valorizadas e não necessariamente de medicação. “Gosto sempre de lembrar o ditado: quando a boca cala os órgãos falam, quando a boca fala os órgãos saram”.

 

Atualmente, a terapia comunitária conta com o apoio de 720 profissionais formados, que já atuam em 310 comunidades em todo o País. Eles atendem, junto com a comunidade, problemas de alcoolismo, homens violentos, mulheres espancadas ou que sofrem com o ingresso dos filhos no mundo das drogas.

 

De acordo com Barreto os casos mais freqüentes são de alcoolistas que batem em suas esposas. “Elas chegam na terapia comunitária desesperadas e dois meses depois, já encontram amigos e apoio”, afirma. Para ele esses problemas acontecem com mais freqüência pelo fato do desemprego ter se intensificado. “O dinheiro que era para comida e manutenção da casa acaba indo para a bebida e quando as esposas reclamam a primeira reação é agredir”.

 

Para melhorar um pouco a situação dessas mães, a terapia comunitária disponibiliza capacitação para elas e seus filhos. Elas podem aprender a fazer tapetes, trabalhar com argila, danças e serviços manuais em geral, as crianças produzem cartões que são vendidos a R$ 1,00. “Com essas atividades as famílias não ficam tão dependentes do agressor e podem levar comida e educação pra casa”, explica Adalberto.

 

2+2 = 19

 

Experiência gera competência. Essa frase resume o apoio que é dado a cada participante da terapia. Barreto conta que quando as pessoas percebem que amigos já passaram por situações semelhantes a que elas estão enfrentando, ficam curiosas para saber como o problema foi resolvido. “Nas terapias conseguimos passar a lógica cartesiana onde 2+2 são sempre 4 . Em cada local conseguimos que 2+2 seja 19 porque a gente soma o saber produzido pela experiência de vida e o saber construído pelas academias, pelas universidades, alcançando um resultado surpreendente”, explica Adalberto.

 

A maioria dos integrantes da terapia comunitária enfatiza: “sozinho eu não podia, mas junto com outras pessoas eu me torno mais forte para enfrentar esse problema”. Assim, os participantes transformam o que seria hipertensão, gastrite, insônia ou depressão em troca de experiências. Pois, o fato de desabafar é terapêutico, a pessoa vai tirando aos poucos o peso dos acontecimentos e não deixa que a soma desses casos influencie em doenças mais graves, derivadas da dor ou do estresse sofrido por determinadas situações.

 

Projetos futuros

 

A terapia comunitária pretende treinar neste ano mais 20 núcleos de atendimento, além de divulgar o serviço e capacitar profissionais em países da Europa. Os endereços dos locais de atendimento serão disponibilizados, brevemente no portal do Observatório Brasileiro de Informações sobre Drogas – OBID, no endereço www.obid.senad.gov.br  

 

Para os interessados em serem multiplicadores ou apenas para participar dos grupos é necessário entrar em contato com a central de atendimento no Ceará pelo telefone (0xx85) 3286-6049. Na central eles serão encaminhados para o posto de atendimento mais próximo da comunidade onde mora.  

Autor: OBID