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Mitos e Verdades

Mitos e Verdades

 

Saiba o que realmente acontece quando a mulher faz o uso de drogas

 

Mito: A cerveja, o vinho e outras bebidas alcoólicas não são alimentos e por isso não engordam.

Verdade: A única bebida que não engorda é a água. Qualquer álcool que ingerimos é metabolizado imediatamente. Mesmo quando as calorias que ele gera não são transformadas diretamente em gordura, elas contribuem para a ingestão total de calorias e, assim, aumentam as chances de ganho de peso[i].

 

Mito: Drogas e álcool causam a violência doméstica.

Verdade: Sabe-se que existe uma forte relação entre abuso de substâncias e violência doméstica, mas não há uma relação causal[ii]. Parar com a bebida ou uso de drogas pode não necessariamente resolver a violência, mas este pode ser um dos múltiplos fatores que a favorecem.

 

Mito: Quando precisa tomar algum medicamento, a mulher deve parar de amamentar.

Verdade: A nutriz pode usar medicamentos por diversas razões e sob várias formas. A presença e a concentração do medicamento no leite humano dependem de vários fatores, que podem estar ligados à mãe, à droga em si, e ao recém-nascido. Nem sempre o medicamento influencia negativamente a amamentação. O que ocorre é que muitos profissionais de saúde, em especial médicos, talvez por desinformação ou até por desinteresse, preferem interromper a amamentação, ao invés de se esforçarem para compatibilizar com a terapêutica materna[iii].

 

Mito: Consumir cafeína durante a gravidez não faz mal.

Verdade: A cafeína ingerida pela mãe facilmente chega à corrente sanguínea e atravessa a barreira placentária, passando quantidades substanciais para o líquido amniótico, sangue do cordão umbilical, plasma e urina dos neonatos; e um acúmulo dessa substância pode representar um potencial risco para o feto e para a placenta, que é a responsável pela transferência de nutrientes. A cafeína pode também interferir no crescimento e desenvolvimento das células fetais, e influenciar o desenvolvimento placentário, diminuindo o suprimento fetal de oxigênio. E mais: a cafeína não é encontrada apenas no café. Suas maiores fontes são café, chá, chocolate e refrigerantes do tipo cola. A cafeína pode ainda ser encontrada em comprimidos para resfriados e alergias, em analgésicos, moderadores de apetite e estimulantes, e 25 dessas drogas podem ser usadas na gravidez[iv].  

 

Mito: A mulher deve parar de fumar apenas durante a gestação.

Verdade: A exposição à fumaça do cigarro da mãe, mesmo depois do nascimento do bebê, além de influenciar o comportamento futuro da criança (incentivando-a a que seja também fumante, por exemplo), é uma variável que pode interferir biologicamente no seu crescimento (causando baixa estatura) [v]. Além disso, crianças expostas à fumaça do cigarro têm mais chance de ter pneumonia, asma e bronquite. Após o nascimento, a criança não sofre apenas ao inalar a fumaça do cigarro, mas também recebe a nicotina junto com o leite materno.

 

Mito: O uso de álcool e drogas não está relacionado à contração das DST/AIDS.

Verdade: É verdade que o uso de substâncias, por si só, não transmite nenhuma Doença Sexualmente Transmissível (DST) ou AIDS. No entanto, o uso de drogas é um fator de risco para a contração de DST/AIDS em homens e mulheres, principalmente em mulheres, pois, além de facilitar a prática de sexo não seguro, as deixa mais vulneráveis ao abuso sexual[vi].

 

Mito: Parar de fumar engorda.

Verdade: Durante as primeiras semanas, a pessoa fica mais ansiosa, irritada, e pode querer comer mais para compensar essas sensações. Além disso, o metabolismo do corpo muda um pouco. Com isso a pessoa pode ganhar alguns quilos a mais. Esse ganho de peso varia de pessoa para pessoa, e é, em média, de até 2,5 kg. No entanto, vale lembrar que para manter o peso, é só tentar não comer mais do que o de costume, ter uma dieta balanceada e fazer algum tipo de atividade física ou esporte[vii]. Os benefícios alcançados pelo fim do hábito de fumar são muito maiores do que o pequeno ganho de peso inicial.

 

Curiosidades

 

As drogas e a gestação[viii]

 

Cocaína: Se usada na gestação pode fazer com que as crianças nasçam pequenas, com peso muito abaixo do normal, tamanho da caixa craniana menor e retardamento mental; também gera crianças agitadas e irritadiças.

 

Crack: Produz uma síndrome de hiperexcitabilidade nos bebês; qualquer toque na pele destas crianças pode provocar dores insuportáveis e tremores; elas também são muito sensíveis à luz; há alterações iguais às da cocaína.

 

Ópio/heroína: Pode gerar crianças com peso abaixo do normal e com deficiência mental: as crianças podem nascer “dependentes” da droga, apresentando a mesma síndrome de abstinência que os dependentes, com tremores, febre e náuseas.

 

LSD: Pode provocar rupturas nos cromossomos das células germinativas, tanto do homem quanto da mulher. Mesmo se usado muito antes da gravidez pode gerar crianças com vários tipos de deficiência.

 

Barbitúricos/benzodiazepínicos: As mães que tomam estes calmantes – que podem ser comprados nas farmácias com apresentação de receita médica – têm filhos dependentes deles; além disso, os remédios podem provocar alterações em órgãos dos bebês, como o fígado.

 

Cigarro (nicotina): Mães que fumam aumentam os riscos de aborto, parto prematuro e baixo peso ao nascer. Também está provado que o cigarro provoca problemas no coração dos bebês.

 

Álcool: Grávidas alcoolistas têm bebês com alterações no formato do rosto e membros; há crianças com braços que vão até a altura de seus joelhos; o álcool também causa problemas no fígado, rim e coração.

 

Maconha/haxixe: Os estudos que tratam sobre o uso da maconha durante a gravidez são controversos. A maioria deles não encontrou sinais de que a droga provoque alterações nos fetos; no entanto, também não está provado que seja uma droga “segura”. Algumas pesquisas encontraram que, principalmente no primeiro trimestre, o uso da droga pode gerar dificuldades de desenvolvimento fetal, e o nascimento de bebês com menor peso, pois a maconha estimula partos prematuros. Há também algumas evidências de que a exposição do feto no útero à maconha aumente a possibilidade de defeitos no nascimento. Existem provas sugerindo que bebês expostos à maconha no útero apresentam distúrbios de comportamento e desenvolvimento durante os primeiros meses depois do nascimento. E outros estudos mostram que estes efeitos nocivos podem aparecer mais tarde nas crianças, quando estas tiverem entre 4 e 12 anos[ix]. Quanto à fertilidade, estudos recentes demonstraram que a maconha é capaz de reduzir a produção e a mobilidade dos espermatozóides, o que poderia levar o homem à infertilidade. Outros problemas constatados envolvem alterações no fluxo menstrual e diminuição do desejo e da satisfação sexual[x].

 

 


 

[i] Serviço de Nutrição e Dietética do Hospital do Câncer – AC Camargo, São Paulo/SP. Brasil.

[ii] LEONARD, Kenneth E. Alcohol and intimate partner violence: when can we say that heavy drinking is a contributing cause of violence? Addiction, Volume 100(4), Abril de 2005, 422–425.

[iii] LAMOUNIER, JA et al. O uso de medicamentos em puérpuras interfere nas recomendações quanto ao aleitamento materno? Jornal de Pediatria, Porto Alegre, v.78 n.1, jan./fev. 2002.

[iv] Souza, RAG; Sichieri, R. Consumo de cafeína e prematuridade (Caffeine intake and prematurity). In Revista de Nutrição, 18(5):643-650, set./out., 2005.

[v] GONÇALVES-SILVA, RMV; VALENTE, JG; LEMOS-SANTOS, MGF. Tabagismo no domicílio e baixa estatura em menores de cinco anos. Cadernos de Saúde Pública, vol.21 no. 5, set./out. 2005, 1540-1549.

[vi] Taquette, SR; Andrade, RB de; Vilhena, M. A relação entre as características sociais e comportamentais da adolescente e as doenças sexualmente transmissíveis. In Revista da Associação Médica Brasileira, vol.51 no. 3, maio/jun. 2005, 148-152.

[vii] BOUER, Jairo. Álcool, cigarro e drogas. São Paulo: Panda, 2004.

[viii] CAVALIERI, ALF; EGYPTO, AC. Drogas e prevenção: a cena e a reflexão. São Paulo: Saraiva, 2002.

[ix] GUINSBURG, R; BARROS, MC. Maconha e gravidez. Disponível em: <www.abpbrasil.org.br>. Acesso em: 17 fev. 2006.

[x]  BOUER, Jairo. Álcool, cigarro e drogas. São Paulo: Panda, 2004.