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Entrevista com Dr. E. A. Callini

Entrevista com Dr. E. A. Carlini*

Diretor do CEBRID da Universidade Federal de São Paulo, membro do Comitê de Peritos sobre Álcool e outras Drogas da OMS (5º mandato), membro Titular Eleito do INCB (International Narcotics Control Board), sobre epidemiologia do uso de álcool no País

1. De que modo os levantamentos epidemiológicos colaboram para uma maior compreensão sobre o consumo de bebidas alcoólicas em nosso meio?

Não se pode fazer nenhum planejamento sobre qualquer tipo de atividade, a não ser que haja um diagnóstico sobre a situação. Na realidade, os levantamentos colaboram no planejamento de atividades futuras sobre os programas de prevenção e modelos de tratamento. Por exemplo, um modelo epidemiológico pode determinar a eficácia de um tratamento para dependência de drogas.


2. O que mostram os mais recentes levantamentos epidemiológicos sobre o uso de bebidas alcoólicas no Brasil?

Como em todo o mundo, o uso esporádico de bebidas alcoólicas é grande. O fato preocupante é que cerca de 10% das pessoas têm problemas com o uso excessivo de álcool. O último levantamento conduzido no Brasil com estudantes mostrou que já se começa a beber de maneira não esporádica, preocupante, entre as crianças de 10 a 12 anos de idade. Isso leva a algumas diretrizes: em primeiro lugar, levantar uma campanha proibitiva, tentando fazer com que esse uso caia a zero, porém, nós já sabemos que isso não funciona. A segunda alternativa, mais interessante, é a de fazer com que programas educacionais direcionados aos jovens alertem sobre os perigos dessa prática.


3. O I Levantamento Domiciliar Sobre o Uso de Drogas Psicotrópicas no Brasil-2001, realizado pelo CEBRID, encontrou um consumo de bebidas alcoólicas em 68,7% da amostra analisada e estimou em 11,2% as estatísticas de dependência de álcool na população das 107 maiores cidades brasileiras. Em face dessa realidade, que medidas o senhor considera necessárias para lidar com o panorama envolvendo álcool e saúde na população brasileira?

Há muitas possibilidades sobre essa questão. Têm pessoas que acreditam que o aumento do preço das bebidas alcoólicas desestimularia o consumo dessas substâncias. Eu não acho que isso dê resultado. O que eu acho que ocorreria seria a migração para bebidas alcoólicas clandestinas de péssima qualidade. Em segundo lugar, nós podemos levar em conta também o fato de que essas pessoas se envolvem em problemas de natureza social como acidentes de trânsito. Para elas, há a necessidade de implementação de programas preventivos que alertem sobre a questão. Em terceiro lugar, é importante que seja feita a implementação de ampla campanha educacional, começando nos bancos escolares, educando sobre os perigos do uso excessivo de álcool.


4. Quais serão os próximos estudos realizados pelo CEBRID que abordarão a epidemiologia do uso de bebidas alcoólicas no Brasil?

O que nós temos a fazer agora é entrar em uma nova linha de trabalho para entender o "como" e os "porquês" do fenômeno. Por meio da pesquisa qualitativa, deve-se entender os "quandos" e "porquês" e não apenas se ater ao "quanto" do fenômeno.

* Fonte: CISA – Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (www.cisa.org.br)