Associação Brasileira de Justiça Terapêutica
Estatuto
Diretoria
Associe-se
Programa de Justiça Terapêutica
Artigos
Legislação
Referências Bibliográficas
Sobre drogas de abuso
Artigos
Centros de Recuperação
Links
Notícias
Fale Conosco

Padre Chagas 79 / 801
(esq. Hilário Ribeiro)
Moinhos de Vento
90580-080 Porto Alegre / RS
51 3013 8820 / 3023 8824


Parceiros:





















Pº Castellana, 150 6º Dcha
28046 Madrid
Teléfono: 91 457 50 61
Fax: 91 457 29 78
E-Mail

 


Tratamento involuntário e voluntário para usuários de maconha

A maconha é a droga mais utilizada no mundo. Embora na última década tem0se estudado a natureza dos trantornos pelo uso, bem como os problemas a ele associados são poucos os trabalhos que relatam efetivamente de tratamento. Como existe uma associação claramente demonstrada sobre uso de maconha e criminalidade, alguns estudos sobre tratamento involuntário (determinado pela justiça) e tratamento voluntário foram realizados, alguns mostrando maior eficácia de um em relação ao outro e vice versa.

Este estudo foi realizado com intuito de verificar quais fatores estavam associados ou não ao consumo e aos problemas de usuários de maconha que receberam tratamento determinados judicialmente comparando-os com aqueles que procuraram tratamento de forma espontânea.

Trata-se de um estudo considerável com um grande número de indivíduos e metodologicamente cuidadoso.Foram estudados 27198 indivíduos no estado do Texas, EUA, entre 01 de Janeiro de 2000 e 31 de Dezembro de 2005. Vários dados foram coletados no início do tratamento e foi realizado um seguimento para determinar aqueles que completaram o tratamento. Outros dados de seguimento foram coletados 90 dias após a última visita ao serviço de tratamento.

Os resultados mostraram que 69% dos envolvidos com maconha foram forçados a se tratar por algum caminho do sistema de justiça criminal. O restante formou o grupo dos voluntários: procuraram tratamento por si mesmo ou por indicação de familiares, centros de referência em saúde mental ou serviço social. 84% do grupo de tratamento involuntário e 69% do grupo voluntário preenchiam critérios do DSM IV para mais uma doença além do uso, abuso ou dependência de maconha. 55% dos tratados  obrigatórios e 54% dos tratados voluntários eram dependentes.

Entretanto, os resultados que mostraram diferenças estatísticas entre os dois grupos foram os seguintes: 1. Entre o grupo voluntário tinha mais moradores de rua mais problemas sociais, no trabalho, psicológicos, com alcool e drogas e pessoas que usaram maconha diariamente nos últimos seis meses anteriores à admissão. 2.  O tempo de permanência no tratamento foi maior no grupo de tratamento involuntário e mais comumente este grupo completou o tratamento e 3.84% do grupo involuntário e 77% do grupo voluntário não tinham usado maconha 90 dias após a última visita ao serviço. Essa diferença foi estatisticamente significante: o grupo de tratamento involuntário conseguira abstinência por mais tempo. Os autores também fizeram uma análise sobre quais fatores prediziam melhores resultados. Foram os mesmo para os dois grupos: menos problemas psicológicos, suporte familiar, tempo de permanência no tratamento e participação no programa de doze - passos nos últimos 30 dias.

Este artigo nos mostra uma questão sabida: quanto melhor a aderência ao tratamento, melhor o resultado. Os autores concluem que o tratamento involuntário garante mais tempo no tratamento e os resultados são, por isso, melhores.

Mas ainda restam algumas questões: por que o gruop dos que fizeram tratamento involuntário tinha mais fatores preditivos de melhora do que o grupo de tratamento voluntário? Seria o fato de que os que estavam obrigados a se tratar recebiam mais assistência governamental ainda que essa assistência fosse do sistema de jutiça criminal? Ou seria ao acaso? Se for ao acaso, o melhor desempenho no grupo involuntário não teria sido pelo maior número de fatores preditivos de melhora e não pelo fato de serem involuntários?

Essa questão não está fechada, mas ao que parece, fazer tratamento involuntário por determinação do sistema judicial talvez seja,sim,uma alternativa para manter o cliente no tratamento e obter melhores resultados.