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As mutilações da adolescência

            Sabe-se que o álcool é tão antigo quanto a humanidade e quase todas as pessoas conhecem seus efeitos. Porém, o seu abuso tornou-se uma questão de saúde pública. O que, hoje, preocupa a todos, é como o uso e o abuso do álcool está ocorrendo entre os adolescentes. As últimas pesquisas realizadas nas principais capitais de nosso país, com estudantes de 10 a 18 anos, alunos do 1º e 2º graus, tem mostrado que 80% destes jovens já experimentaram o álcool, e que a grande maioria, experimentou aos 10-12 anos. O álcool é a droga mais amplamente usada, e está muito à frente do tabaco (cigarro) que está em 2º lugar. Dos estudantes de 1º e 2º graus, 20% estão fazendo uso freqüente, ou seja, bebendo algum tipo de bebida alcóolica, mais de seis vezes ao mês. Um grande número deles, já bebeu até se embriagar.

          Em nossa sociedade, o primeiro “porre” é popular, aceito socialmente e até encorajado por muitos. Para alguns, o uso do álcool ainda é um sinal de masculinidade e para outros, é quase um ritual de passagem da adolescência para o mundo adulto, que é visto com charme e excitação. O que poucos se dão conta, é que o “porre” é uma clara situação de abuso do álcool. Um terço dos adolescentes entrevistados, relataram já haver tomado pelo menos um porre, e 60% dos mais velhos, de 16 a 18 anos referem, no mínimo, um porre. Os meninos relatam um consumo maior que as meninas, e os mais velhos (16 a 18 anos), referem beber até mais de cinco garrafas de cerveja em uma ocasião.

 Muito poucos conhecem, que a freqüência de “porres” tem relação com o desempenho escolar. Os jovens que apresentam mais repetência e abandono escolar, são os que  relatam mais “porres”. O uso de drogas ilícitas ou lícitas, como o álcool, tem relação com faltas às aulas, dificuldade de concentração, falta de motivação para os estudos, brigas familiares etc. E muitos que convidam só para uma “cervejinha”, e no dia seguinte têm dor de cabeça, mal estar, náuseas ou vômitos, não aceitam que estão de “ressaca”, e muito menos reconhecem que o seu beber já é problemático. Não se perguntam porque desejam a “tonturinha” ou porque querem “encher a cara”.

Os adolescentes, e não podemos esquecer que estamos falando aqui, inclusive de crianças de 10 anos de idade, buscam as drogas pelas mais variadas razões. Em nenhum momento nos esquecemos do tabaco, da maconha, dos inalantes, da cocaína, do crack ou de todas as outras drogas. Só não estamos falando sobre as “outras” drogas aqui, porque não é nosso objetivo e porque, de longe, o álcool é a mais consumida.

Uma pesquisa realizada em 1992, com 5692 adolescentes, estudantes da rede estadual de ensino de Porto Alegre, verificou um aumento importante e preocupante no consumo de álcool entre os jovens, comparando com informações de pesquisas de 1987 e 1989. Em geral, os jovens começam a beber porque querem conhecer o álcool, pensam que é isso que os adultos esperam deles, buscam seu efeito euforizante, querem novidades, sensações, querem criar coragem. Também bebem porque querem preencher o vazio interno, deixado pelas dúvidas, pela incerteza, pelas exigências da vida, pelo medo de não ser capaz, de não conseguir! E querem “afogar” a timidez, a ansiedade, a depressão, o estresse que, até podem “afogar” por um momento, mas, após isso, o que fica é o gosto amargo da chateação, da culpa, do mal estar. Quem não sabe o que é isso ?

A ingestão de duas cervejas já causa desinibição social, modifica o juízo crítico e diminui a coordenação motora. Alguns estudos comprovam que mais da metade dos adolescentes, bebem antes de sua primeira relação sexual e diminuem o uso de preservativo, estando expostos à gravidez indesejada ou à contrair o vírus da AIDS.

               Uma das conseqüências do abuso do álcool, é a violência no trânsito que coloca, tristemente, nosso país entre os campeões mundiais de acidentes de trânsito. No Brasil, a grande maioria dos acidentes, tem o abuso de álcool envolvido. Aquele que escapa com vida, é candidato a engrossar o batalhão de mutilados. E pesquisas que comparam adolescentes norte-americanos e latinos (1999) encontram que os adolescentes latinos se embriagam muito mais que os americanos.

Tudo isto, tem levado alguns países europeus e alguns estados norte-americanos a discutirem a idade para a carteira de motorista. Querem reformular a legislação instituindo os 21 anos como idade mínima para a carteira de habilitação. Desejam com isso, diminuir os acidentes e as mortes no trânsito que ocorrem, em sua maioria, com os jovens. Países como a Noruega, a Finlândia e o estado de Massachusetts (USA) restringiram a venda e a propaganda de bebidas alcoólicas. Conseguiram diminuir, de forma importante, o número de acidentes e agressões.